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• Página do artista Vinícius de Moraes
Biografia
Este emérito carioca (1913-1980) foi tão brilhante quanto versátil: crítico de teatro e cinema, diplomata bem-sucedido, um dos maiores poetas líricos brasileiros (injustamente ofuscado pelo brilho na música popular) e, acima de tudo, compositor e o principal letrista da bossa nova. Só para lembrar algumas de suas parcerias... Com Tom Jobim: "Garota De Ipanema", "Chega De Saudade", "Se Todas Fossem Iguais A Você", "Eu Sei Que Vou Te Amar"... Com Carlos Lyra: "Minha Namorada", "Coisa Mais Linda", "Marcha Da Quarta-Feira De Cinzas", "Pau-De-Arara"... Com Baden-Powell: "Deixa", "Samba Da Bênção" e o ciclo Afrosambas, que inclui "Berimbau". Com Edu Lobo: "Arrastão", "Zambi"...
Vinicius era versátil também como compositor. Além de bossas e fox-trotes, compôs música regional ("Pau-De-Arara") e clássicos da música infantil ("O Pato" - não confundir com a canção interpretada por João Gilberto -, "A Casa"). Também colocou letras em clássicos instrumentais da MPB como "Odeon", de Ernesto Nazareth, "Lamento", de Pixinguinha" e "Gente Humilde", de Garoto, popularizando-os para as novas gerações.
A carreira musical de Vinicius começou bem antes da bossa nova: ainda como estudante (primeiro na escola, depois na Faculdade de Direito), compunha com os amigos Paulo e Haroldo Tapajós. Um de seus primeiros sucessos, o fox-trot "Loura Ou Morena", foi lançado em 1932. Uma ano depois sairia seu primeiro livro de poemas, O Caminho Para A Distância.. Estudou literatura inglesa como bolsista em Oxford - aprendizado que classificou como fundamental. Em 1941 retornou ao Rio, onde passou a ser crítico de cinema do Correio Da Manhã. Dois anos depois, ingressou na carreira diplomática: morou no Uruguai, na França e nos EUA, onde foi vice-cônsul.
Em 1954, trouxe da França, onde morava, a peça Orfeu Da Conceição. Tinha a intenção de compor as músicas com Vadico, ex-parceiro de Noel Rosa, mas o estado de saúde do pianista não o permitiu aceitar o convite. Foi-lhe sugerido então, pelo amigo Lúcio Rangel, o nome de um jovem pianista ainda pouco conhecido, Tom Jobim. Num mítico encontro no bar Villarino, no Centro do Rio, os dois foram apresentados e Tom respondeu à proposta convite com uma antológica pergunta: "Tem um dinheirinho nisso?". Mais tarde, adaptada pelo cineasta francês Marcel Camus, a história - e as canções - ganhariam o mundo a bordo do filme Orfeu do Carnaval (no original, Orfeu Negro).
A partir de 1962, depois de estrelar, ao lado de João Gilberto e Tom Jobim, um show histórico na boate Au Bon Gourmet, no Rio, os palcos da música popular foram roubando Vinicius cada vez mais da literatura e da diplomacia. Intimamente ligado à bossa nova, ele iniciou parceria com Baden Powell, lançou o Quarteto Em Cy e, já em 1965, ligou seu nome às gerações pós-bossa ao vencer o Festival da TV Excelsior (com "Arrastão", parceria com Edu Lobo defendida por Elis Regina). Desligado da carreira diplomática após o AI-5, passou a ser poeta da música e artista de palco em tempo integral.
Em 1971, iniciou parceria com o violonista, compositor e cantor paulistano Toquinho. A dupla emplacou muitos sucessos ("A Tonga Da Mironga Do Kabuletê", "Testamento", "Cotidiano No. 2", "Tarde Em Itapoã", "O Bem-Amado") e só terminou com a morte de Vinicius, em 1980, aos 62 anos.
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