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Página do artista Barão Vermelho

Biografia

Ao lado de Blitz, Paralamas do Sucesso e Kid Abelha, o Barão Vermelho é um dos principais nomes da geração do rock brasileiro que se projetou no começo dos anos 80, abrindo portas para o gênero na indústria fonográfica e no coração do público nacional. O Barão Vermelho lançou disco antes, mas, em termos de popularidade, chegou praticamente junto deles aos palcos da primeira edição do Rock in Rio, passo definitivo para a eclosão de toda uma cena que incluiu a "turma de Brasília" (Legião Urbana, Capital Inicial, Plebe rude) e as "bandas do Sul" (Engenheiros do Hawaii, Nenhum de Nós, Replicantes). O grupo se tornou conhecido por tocar rock & roll inspirado no blues, a exemplo dos Rolling Stones, mas em vários momentos da carreira optou por caminhos mais brasileiros. O vocalista Cazuza teve várias de suas músicas gravadas por artistas da MPB, gênero do qual se aproximou em sua trajetória-solo.

O Barão Vermelho foi fundado no Rio de Janeiro, em 1981, por Flávio Augusto Goffi Marquesini (bateria) e Maurício Carvalho de Barros (teclados), colegas de escola. Roberto Frejat (guitarra) entrou em seguida, indicado por um colega de aulas de guitarra. André Palmeira Cunha (Dé) foi "descoberto" em um festival de colégio e chamado para o baixo. Somente no ano seguinte encontraram um vocalista, após testes com diversos cantores, incluindo Léo Jaime, que acabou indicando o amigo que fazia o mesmo curso de teatro: Agenor Miranda Araújo Neto, o Cazuza. Além de talentoso como letrista, discípulo confesso da dor-de-cotovelo de Dolores Duran, ele tinha carisma natural e uma ótima presença de palco aprimorada em cursos de teatro. Como se isso não bastasse, era filho de João Araújo, diretor da gravadora Som Livre, que rapidamente assinou contrato com a banda. O atalho, infelizmente, teve seu preço: os músicos não foram tratados com o profissionalismo que seu potencial merecia. O primeiro LP, Barão Vermelho (1982), reúne repertório excelente - entre elas a belíssima "Todo Amor que Houver Nessa Vida" -, mas foi gravado com qualidade técnica precária e teve pouca divulgação.

As coisas começaram a mudar semanas depois da gravação do disco Barão Vermelho 2 (1983), realizado com mais apuro sonoro. Ney Matogrosso estourou no rádio com sua versão de "Pro Dia Nascer Feliz" e o Barão foi descoberto nacionalmente. O hit em todo o Brasil, porém, só veio em 1984, com "Beth Balanço", da trilha sonora do filme de mesmo nome e presente no terceiro disco do grupo, Maior Abandonado. Em janeiro de 1985, participaram do festival Rock In Rio e tiveram uma acolhida consagradora. Com moral alta, o grupo inicia uma série de shows por todo país, o que acaba acelerando o desgaste entre Cazuza e o restante. Em junho, é anunciada a saída do vocalista, que parte para carreira solo. Frejat passa a cantar e o Barão lança Declare Guerra (1986). O disco não decolou, mas mostrou que a banda poderia sobreviver sem Cazuza. Assinando com a WEA, lançaram em 1987 Rock'n Geral (1987), considerado um dos melhores álbuns do grupo. Frejat iniciou parcerias com Arnaldo Antunes, então nos Titãs ("Quem Me Olha Só") e Sérgio Serra, do Ultraje a Rigor ("Me Acalmo, Me Desespero"). No ano seguinte, o Barão Vermelho sofreu a segunda perda: o tecladista Maurício Barros decidiu investir no grupo Buana 4. Frejat Goffi e Dé incorporaram à formação o guitarrista Fernando Magalhães e o percussionista Peninha, que haviam participado de algumas músicas de Rock'n Geral. Reencontrando-se com as raízes roqueiras, o então quinteto lançou Carnaval, que gerou o hit "Pense e Dance" e uma turnê registrada em Barão Ao Vivo (1989), gravado em um show em São Paulo.

Em 1990 participaram do Hollywood Rock e o baixista Dé foi substituído por Dadi, ex-Cor do Som. No ano seguinte ganharam o prêmio Sharp como melhor grupo de rock. O disco Na Calada da Noite acabou ofuscado com a morte de Cazuza, ocorrida antes, no dia 7 de julho, mas trouxe o sucesso "O Poeta Está Vivo", adotado como uma espécie de hino pelos fãs do cantor. Supermercados da Vida (1992) trouxe Rodrigo Santos no baixo e emplacou a música "Pedra, Flor e Espinho". Considerado mais elétrico e pesado, Carne Crua foi lançado em 1994 e trouxe pelo menos uma grande canção, "Meus Bons Amigos". No ano seguinte o Barão abriu os shows dos Rolling Stones no Rio de Janeiro e em São Paulo, e, em 1996, gravou Álbum, projeto de covers como "Malandragem Dá Um Tempo" (conhecida na voz de Bezerra da Silva), "Perdidos na Selva" (Gang 90) e "Vem Quente que Eu Estou Fervendo" (de Carlos Imperial e Eduardo Araújo) que renovou o público da banda e conquistou uma vendagem inédita em sua carreira: 400 mil discos. De orientação eletrônica, apesar de acanhado, Puro Êxtase (1998) confirmou o novo status de popularidade do Barão, emplacando como hits a faixa-título e a romântica "Por Você". Balada MTV - Barão Vermelho saiu em 1999, fazendo uma retrospectiva eletro-acústica dos melhores momentos da carreira da banda. Em 2001, Frejat iniciou paralelamente a carreira-solo com Amor Pra Recomeçar (escudado por Maurício Barros nos teclados), forçando férias coletivas para o grupo. Depois de um segundo disco no mesmo estilo romântico, Sobre Nós Dois e o Resto do Mundo (2003), Frejat voltou a se reunir com os companheiros do Barão Vermelho. O resultado foi um retorno à sonoridade mais rústica do início da carreira, como na faixa "Cuidado".

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