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• Página do artista Chico Buarque
Biografia
Nascido no Rio de Janeiro, em 19 de junho de 1944, Francisco Buarque de Hollanda é o quarto dos sete filhos do historiador e sociólogo Sérgio Buarque de Hollanda e da pianista amadora Maria Amélia Cesário Alvim. Aos dois anos a família mudou-se para São Paulo. Em 1953, Sérgio Buarque foi dar aulas na Universidade de Roma, na Itália. A casa da família nessa época foi freqüentada por Vinicius de Moraes, que mais tarde se tornaria amigo e parceiro de Chico. Ainda em 1953, retornaram para a capital paulista. Moleque, Chico já brincava de compor. Um disco decisivo para sua formação musical foi Chega de Saudade, de João Gilberto, que ouvia insistentemente. Em 1959, compôs aquela que assume como sua primeira música, "Canção dos Olhos".
O show de estréia de Chico Buarque aconteceu em 1964, no Colégio Santa Cruz, em São Paulo, quando cantou "Canção dos Olhos". No mesmo ano, a música "Tem Mais Samba" foi feita sob encomenda para o musical Balanço de Orfeu, e Chico participou do espetáculo O Fino da Bossa, no Teatro Paramount. Em 1965, lançou o compacto com "Pedro Pedreiro" e "Sonho de um Carnaval" e fez musicou textos do poema "Morte e Vida Severina", de João Cabral de Melo Neto, para uma montagem que ganhou os prêmios de público e crítica no IV Festival de Teatro Universitário de Nancy, na França. Ao participar do Festival da Record, em outubro de 1966, tornou-se conhecido como autor de "A Banda", interpretada por Nara Leão, que ficou empatada na primeira colocação com "Disparada" (Geraldo Vandré/ Theo de Barros). Veio, naquele ano, o primeiro disco, Chico Buarque de Hollanda, pela RGE. A música "Tamandaré", incluída no repertório do show Meu Refrão (com MPB-4 e Odette Lara), foi proibida pela censura, por ser considerada ofensiva ao patrono da Marinha. Ainda em 1966, lançou o songbook A Banda, com manuscritos de letras e o conto Ulisses, e casou-se com a atriz Marieta Severo.
Em 1967, depois de lançar Chico Buarque de Hollanda Volume 2, escreve a peça "Roda Viva", nome da música que ficou com o terceiro lugar do Festival da Record. "Carolina" obteve o terceiro lugar no II Festival Internacional da Canção. Em julho de 1968, um grupo do Comando de Caça aos Comunistas invade o teatro Galpão, em São Paulo, e espanca atores e técnicos da peça. Sob vaias do público, "Sabiá", parceria com Tom Jobim, vence o Festival Internacional da Canção. As idéias de Chico entram em choque com as dos tropicalistas, que promoviam um rompimento e avançavam em direção à linguagem pop. Em dezembro, o artigo "Nem toda loucura é genial, nem toda lucidez é velha" é publicado no jornal Última Hora, como uma resposta à estética tropicalista. Dias depois da decretação do AI-5, em 13 de dezembro, Chico é detido em casa e levado ao Ministério do Exército para prestar depoimento sobre sua participação na passeata dos Cem Mil e as cenas "subversivas" de Roda Viva. Sai Volume 3 (1968), com "Retrato em Branco e Preto", parceria com Tom Jobim, "Carolina" e "Roda Viva". Um ano depois, Chico se apresenta na Feira da Indústria Fonográfica, em Cannes, França, e parte para um auto-exílio na Itália. Volta ao Brasil em março de 1970, quando sai o Volume 4, com "Gente Humilde". A música "Apesar de Você", crítica ao regime militar, é lançada em compacto, vende 100 mil cópias e se torna um hino da resistência à ditadura. A censura tarda, mas recolhe o disco das lojas. No ano seguinte, coloca no mercado Construção, um marco em sua carreira, que redefiniu os temas e modificou as melodias, agora completamente desatreladas da bossa nova, como mostravam "Deus Lhe Pague" e a faixa-título.
Em 1974, depois de Caetano e Chico Juntos e Ao Vivo (1972) e Calabar, O Elogio da Traição ou Chico Canta (1973), veio Sinal Fechado, só de interpretações, resultado da censura sobre praticamente todas as suas composições. Em 1973, durante o show Phono 73, a gravadora Phonogram desliga os microfones impedindo Chico e Gilberto Gil de cantarem "Cálice". Chico rompe com o selo e, para driblar a censura, inventa o pseudônimo Julinho da Adelaide no ano seguinte, criando através dele os sucessos "Acorda, Amor", "Milagre Brasileiro" e "Jorge Maravilha" (este regravado em 1999 pela banda de rock Ira!). O personagem é abandonado em 1975, após a revelação da identidade do autor das músicas, o que o obrigou a ficar longe dos palcos até 1984. Nesse período, escreveu a tragédia Gota D'água, em parceria com Paulo Pontes, compôs "Vai Trabalhar Vagabundo", para o filme homônimo, e "O Que Será", para Dona Flor e Seus Dois Maridos. Grava os discos Meus Caros Amigos (1976), com "O que Será (À Flor da Terra)", "Mulheres de Atenas", "Vai Trabalhar Vagabundo" e "Olhos no Olhos", Chico Buarque (1978), com "Cálice" e "Apesar de Você", e a trilha sonora da peça Ópera do Malandro (1979). Em 1977, traduziu e adaptou o musical infantil Os Saltimbancos e escreveu o texto e as canções de Ópera do Malandro, cujo disco, duplo, sairia em 1979, mesmo ano em que publica o livro infantil Chapeuzinho Amarelo. Vida (1980), lançado na época da abertura política, marca uma nova fase na carreira de Chico e gera os sucessos "Morena de Angola" e "Bye, Bye, Brasil". Em 1981, trabalha na produção do filme Os Saltimbancos Trapalhões, estrelado por Renato Aragão. O teor político é praticamente abandonado em Almanaque (1982), com "O Meu Guri". O sucesso popular aumenta com o samba "Vai Passar" e "Brejo da Cruz", do auto-intitulado disco de 1984. Chico encerra a década de 80 com Francisco (1987) e Chico Buarque (1989). Nos anos 90, ele divide seu tempo entre música e literatura, escrevendo os romances Estorvo (1991) e Benjamim (1995) e a peça teatral Gota D'Água. A produção fonográfica diminui sensivelmente ? lançou Ao Vivo Paris ? Le Zenith (1990), Paratodos (1993), Uma Palavra (1995) e As Cidades (1998). Em 1998, Chico Buarque é homenageado no enredo da Mangueira "Chico Buarque de Mangueira", vencedor do Carnaval daquele ano. O álbum duplo Chico Ao Vivo (1999), é gravado durante a bem sucedida turnê de As Cidades.
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